Eu esqueci - disse ele, sem mentiras no olhar.
Eu esqueci, durante dias, anos e meses tudo o que você me ensinou.
O que você queria, quando o matou? - perguntou o juiz, com um olhar inquisidor, quiçá curioso. Afinal, arrancar o coração de alguém vivo é algo incomum no Brasil.
Se me permite, deixe eu lhe apresentar a dor, caro juiz. Olhe meu rosto: eu vi minha namorada levar um tiro, um tiro fdp no meio de seu rosto, eu vi o sangue de quem eu amava escorrendo pela boca que eu beijava com tanta devoção. Quem dera fosse o meu sangue, seu juiz... Ela estava morta.
Você, sua santidade do direito humano, excelência da justiça, o fez inocente. Me fez suspeito.
Eu a vi morrer, você me fez renascer.
Protesto!
Cale-se! Deixe-me continuar!
Aquela cena iria longe, quem sabe dias.
A eternidade é pouco para a dor e é muito para quem não sabe a delícia de perder o sorriso, dando gargalhadas por dentro.
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