sexta-feira, 23 de abril de 2010

Progressivos e Progressistas

Era como um pesadelo sem ter hora pra terminar
um sonho que eu nunca quis realizar

Correr sem parar, sem parar pra respirar
num fôlego único cair sem tropeçar

Acredite no meu pesadelo que eu fiz pra te contar

...

Eu queria ter corrido através daquele quadro
daquela parede de vidro e asfalto

que chamaram de estrada para a felicidade
mas era apenas ferro retorcido e concreto

eu nunca vi tanta prepotência na sinceridade
eu queria ter mais força de arranque nesse carro
eu nunca quis tanto silêncio sem sirene e sem alarme
as madrugadas aqui são a mais perfeita definição de "saco"

Eu criei um pesadelo sem prazo pra acabar

Será que eu posso reinventar
o que você usa pra me justificar

dane-se o mundo, o dano é profundo e profano
um tsunami de fogo pra bruxas do vaticano
uma taça de café para um hiperativo
glicose na veia do diabético depressivo

na contramão do resumo que você fez
na anti-mão do resumo que eu escrevi
acelere os danos pra ver
a felicidade que te faz ruir

aumente o volume, o silêncio está me matando
eu não queria estar nessa tal de paz armada
estando desarmado
e só cabe no bolso uma flor ou uma granada

com qual dos dois eu vou ficar?
qual dos dois vai te derrubar?
Silêncio, está no ar
o programa mais repetitivo que acabou de estrear.

Paz, pra uma Terra, em rota de extinção
Paz, em uma Terra, falida e sem definição.

O relógio corre pra trás
o mundo se desinventa
lá vem a era glacial
ou uma carta da pessoa amada

Esqueci de esquecer
a tv sai fora do ar

Em respeito, o dedo médio erguido
ficando lado a lado a dor e o prazer.

~Mateus

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