sábado, 14 de junho de 2008

A injustiça

Um cisco no olho seria menos incômodo, e talvez mais sutil do que a analogia que o segue. Pois, ora, quem haveria de pressupor a queda, senão quem invejava teu absolutismo, justificado em vinho, cigarro e muitos sorrisos deflagrados e inflamados pelo magma do estar?
A injustiça. Qual dama de vestido vermelho de sangue, cabelo negro de inveja e pele branca de sentimentos opacos poderia estar por trás de tudo?
Sim, o erro é parte fundamental da evolução e quem julga não errar, não pode estar mais errado.
A mentira é a porta para o fim. Não há nada mais clichê,
E é tão natural quanto você achar que o problema dos outros é menor que o seu. Afinal, o cisco está no seu olho, e não interessa se quem está sofrendo é quem mais te ama, o que interessa ( e te domina) é que teu olho está ardendo.
E assim, a inveja de estar bem justifica teus crimes. Justifica teus pesares. Justifica, mas não absolve.


A absolvição parte do olhar do inocente perante o juiz. Não há outra maneira. Não interessam os advogados, não importa o promotor. O que importa é o que decorre nessa via do afeto momentâneo e interesseiro. Me interessa a liberdade, o que vai além me convém e a tua vida não me diz respeito. Seria tão mais fácil se todos pensassem assim, mas teimam em uma falsa apatia hiper-moderna, conceituada em algum livro francês ou discurso de poeta bêbado.

Ignorar a dor, perdoar o medo, superar o erro. Fazer a injustiça experimentar do seu fogo.
Deixar isso de lado é como desvestir a pele de seu orgulho e suas vaidades...
Pode parecer doloroso, mas se faz necessário.

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